Femininas e Feministas

cerejeira em flor

Depois de quase um ano sem conseguir ler um livro, (pois entre fraldas e papinhas o máximo que conseguia ler eram bulas de remédio e o manual de instrução de uso do canguru) semana passada eu tive o prazer de conseguir ler “Memórias de uma Gueixa”, enquanto a Lis estava no berçário.

Senti falta da minha feminilidade…. Já brinquei algumas vezes com as amigas que uma das piores coisas que a mulher já fez foi queimar os soutiens na luta do movimento feminista (calma feministas de plantão que já me explico!!). As conquistas da mulher através do movimento; de melhores salários, de igualdade de direitos, de direito ao voto e participação política, de liberdade sexual são fatos de importância inquestionável. Mas como em todas as conquistas, com o bônus, recebemos também ônus, quero dizer que, quando pensamos em igualdade de direitos e de deveres, não quer dizer que adquirimos as mesmas características do sexo oposto, nem que tenhamos as mesmas necessidades e desejos.

Estar inserida no mercado de trabalho com igualdade de direitos, teoricamente, não nos priva de delicadezas como receber flores, ter a porta do carro aberta, ser convidada para um jantar romântico em um bom restaurante e não ter que dividir a conta…. Teoricamente…. Mas o que vejo cada vez mais é a “masculinização” da mulher. Tanto os homens, quanto nós mesmas, estamos nos esquecendo das diferenças e particularidades de cada gênero e a vida com isso, perde a poesia.

Trocar pneu do carro, carregar as compras no supermercado e as malas nas viagens, xingar palavrões no trânsito e dirigir de forma agressiva, você imaginou seu pai, irmão, marido? Pois essas atitudes cada dia mais fazem parte do dia-a-dia das mulheres. Não que eu ache que homens não devem lavar os pratos do jantar, ou cozinhar, ou usar cremes para a pele. Acho que do mesmo jeito que conquistamos espaço no mundo masculino, eles conquistaram espaço no nosso e essa troca é muito rica. Mas no meu caso, sinto falta de mimos, de feminilidade, delicadeza e gentileza.

As Gueixas tinham rituais de embelezamento que duravam as vezes uma manhã inteira, a maquiagem e o vestuário eram uma arte, e suas atribuições nas casas de chá japonesas eram entreter os homens com conversas inteligentes, demonstrações artísticas ou simplesmente fascinando-os com sua beleza. Esse olhar masculino, de admiração, fascínio, desejo, a meu ver hoje encontra barreiras na competitividade que impera entre os sexos. Acho que muitas vezes estamos competindo pelas coisas erradas… Eu não tenho a força muscular, nem a agressividade, nem muitas outras características que são atribuídas a presença de testosterona. Isso é biológico, não é social.

Sei que haverá muitos olhares de crítica sobre este post, e que a grande maioria das mulheres prefere calças jeans a um vestido florido…. mas talvez estejamos nos esquecendo de florir, como as cerejeiras japonesas, ou nossos Ipês… Talvez precisemos de gentileza, olhares de encantamento, toques de carinho, mais do que de cargos de chefia, olhares de intimidação e medo e disputas no trânsito. Sayonara!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s