Vivendo um dia de cada vez

ampulheta-tempo

Acho que o maior aprendizado que tive com a chegada da Lis foi a ter calma e viver um dia de cada vez. Oswaldo Montenegro, em sua música “Metade” diz: “que a minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que mereço”.

Encontrei minha calma nos passos cautelosos do início da gravidez para não tropeçar nos percauços das ruas da cidade. Encontrei minha calma no esperar paciente o último carro passar antes de atravessar a rua, protegendo meu bem mais precioso. Encontrei a calma porque não adiantava querer que ela se mexesse logo dentro do meu ventre, ou que ela estivesse pronta para nascer na hora que me fosse conveniente, ou que ela parasse de chorar simplesmente porque aquilo me era angústia. Não adiantava querer que a dor da amamentação passasse logo e se tornasse prazer, não adiantava querer que seus dormires e acordares se tornassem amores e sorrisos, não bastava estar por perto para me sentir mãe.

Foi vivendo um dia de cada vez que senti os primeiros movimentos, que vi o primeiro sorriso e também o primeiro choro sofrido, que senti fome, sede, cansaço, desespero, alegria, tudo ao mesmo tempo, e tudo a seu tempo….. ah, o tempo… Este ser mágico e precioso nos ensina que viver leva tempo, e o tempo leva a vida embora se a gente não está atento ao que ele nos diz.

Hoje levo meus dias com a calma de uma borboleta pousada na flor. Quando estou com Lis, meu tempo é dela. Não há nada mais interessante que uma caixa vazia, um chocalho vermelho, um livro sobre os bichos da fazenda. Existe a hora da música, a hora da leitura, do passeio, do banho, do amor e do soninho…. essas horas que não se contam no relógio, mas se passam no balanço entre o coração e o ouvido, num tictac sereno de estar junto, de estar inteiro e de estar feliz.

Assim aprendo a cada dia que não basta estar presente. Tem que estar pleno e sem pressa pra ver a beleza do tempo passando pelos olhos de uma criança.

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Um comentário sobre “Vivendo um dia de cada vez

  1. Este post me tocou em especial, tanta doçura e sensibilidade expressas em palavras que resumem tão bem este momento e fazem com que nossos sentimentos sejam compartilhados e nossas incertezas acalmadas. Ainda estou “fresquinha” no quesito maternidade mas todos os sentimentos como a renúncia, a paciência, a fragilidade e o carinho se resumem exatamente nisto: viver um dia de cada vez! Desejo que continue dando asas à imaginação e aproveitando o tempinho entre uma papinha e um afago para continuar escrevendo e escrevendo… Nossa querida florzinha tem uma mãezona maravilhosa e muito especial conduzindo seu desabrochar para a vida!!!

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