Linhas pedagógicas: uma reflexão

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No Post anterior falei um pouquinho sobre como foi a escolha do berçário da pequena. Muitas amigas me perguntaram em que consiste a proposta pedagógica de uma instituição de ensino e como isso influenciaria no desenvolvimento da criança e em sua relação com o mundo em que vive.

Bem, neste Post farei um apanhado geral sobre as linhas pedagógicas que conheço. Será uma visão superficial e baseada em um estudo rápido que realizei, para quem quiser se aprofundar, sugiro tomar as informações aqui presentes apenas como um estímulo para buscar mais conhecimento. Abaixo estão algumas referências que utilizei e sites onde pode-se aprofundar o estudo de cada método.

Antes de começar, porém, me sinto impelida a convidar minha mãe, Márcia, a comentar  sobre o Construtivismo de Piaget e meu querido primo Flávio para falar sobre o método Waldorf, pois sei que são profundos conhecedores dos respectivos temas e podem contribuir muito com este Post.

Método tradicional: O professor é a figura central, que ensina as matérias e cobra a resposta dos alunos, geralmente por meio de avaliações. Essa linha tem grande foco no conteúdo (dever de casa, provas, etc) e privilegia a preparação para o vestibular desde o início do currículo escolar. Seus defensores enfatizam que uma sólida base de informação é fundamental para formar alunos críticos e questionadores.

Método Montessori: Maria Montessori foi uma médica italiana que, em meados do século 20, propôs um método de ensino que sugeria a utilização do ambiente, materiais e práticas para libertar a verdadeira natureza do indivíduo. Ela idealizava que a educação deveria se desenvolver a partir da evolução da criança, e não o contrário. A frase usada por Montessori, que resume essa abordagem, seria: “a criança faz o homem”. Os seis pilares que regem a proposta pedagógica são:

  1. Autoeducação: Capacidade inata que a criança tem de aprender.
  2. Educação como ciência: O professor utiliza o método científico de observações, hipóteses e teorias para entender a melhor forma de ensinar cada criança e para verificar a eficácia de seu trabalho no dia a dia.
  3. Educação Cósmica: De acordo com este princípio, o educador deve levar o conhecimento à criança de forma organizada – cosmos significa ordem, em oposição a caos.
  4. Ambiente Preparado: É o local onde a criança desenvolve sua autonomia e compreende sua liberdade em escolas e lares montessorianos.
  5. Adulto Preparado: Esse adulto deve conhecer cientificamente as fases do desenvolvimento infantil e, por meio da observação e do domínio de ferramentas educativas de eficiência comprovada, guiar a criança em seu desabrochar.
  6. Criança Equilibrada: É qualquer criança em seu desenvolvimento natural.

Para quem está achando a explicação muito complexa, vou tentar aproximar essas informações de nossa realidade: O método Montessori estimula a autonomia da criança na busca por conhecimento, através do preparo do ambiente e do professor. Por exemplo: o ambiente onde a criança transita deve estar preparado, camas baixas, móveis adaptados à altura da criança, figuras, quadros e desenhos devem estar na linha dos olhos deles para que a própria criança possa acessá-los sem precisar de um adulto. Os brinquedos e brincadeiras devem estimular os sentidos, atividades sensoriais direcionadas de acordo com a fase de desenvolvimento da criança.

Método Waldorf: Surgiu em 1919, com o filósofo austríaco Rudolf Steiner. O método visa o desenvolvimento integral da criança, não apenas o intelectual. A imaginação é estimulada por meio de brinquedos simples, pouco estruturados, produzidos quase sempre com material natural, como madeira e tecidos. A partir do Ensino Fundamental, os alunos permanecem juntos por oito anos, sendo acompanhados nesse ciclo pelo mesmo professor, chamado professor de classe, que conta com a ajuda de professores de diversas matérias para dar conta do currículo. Não inicia a alfabetização durante a educação infantil. A participação dos pais é no dia a dia e até na gestão da escola e faz parte da proposta pedagógica.

Ela é uma pedagogia holística em um dos mais amplos sentidos que se pode dar a essa palavra quando aplicada ao ser humano e à sua educação. De fato, ele é encarado do ponto de vista físico, anímico e espiritual, e o desabrochar progressivo desses três constituintes de sua organização é abordado diretamente na pedagogia.

Para mais detalhes, espero a contribuição de Flávio Hauser, contando inclusive sua experiência prática com o Método e a maravilhosa história do Jardim das Bromélias.

Contrutivismo: Desenvolvida por Jean Piaget, a teoria de aprendizagem idealizada em meados do século 20, não é um método, mas uma concepção de ensino. Propõe que todo aluno seja capaz de construir seu conhecimento. Leva em conta, assim, o conhecimento que a criança traz consigo. Uma das alunas de Piaget, Emilia Ferrero, ampliou a teoria para o campo da leitura e da escrita e defende o conceito de que a criança consegue se alfabetizar sozinha desde que esteja num ambiente com letras e textos. O professor, aí, tem o papel de mediador. É como se fosse o “tradutor” para o saber ansiado pela criança.
O construtivismo propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado, mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estimulo a dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros procedimentos. A partir de sua ação, vai estabelecendo as propriedades dos objetos e construindo as características do mundo.

Não pretendo me arriscar falando de Piaget, pois por mais que tenha sido criada dentro dessa concepção de ensino, deixo os comentários para quem entende do assunto com profundidade.

Bom, espero que esse Post tenha contribuído para que pensemos um pouco no que estamos querendo em relação a educação de nossas crianças. Se outras pessoas quiserem contribuir nessa reflexão, dividindo seus conhecimentos ou experiências, serão muito bem recebidas. Esse tema me toca profundamente, e provavelmente falarei dele outras vezes por aqui.

Fontes:

http://larmontessori.blogspot.com.br

PORTAL EDUCAÇÃO http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/32627/a-filosofia-montessoriana#ixzz3mPzozsqo

http://www.pedagogia.com.br/

http://www.federacaoescolaswaldorf.org.br/

http://www.antroposofy.com.br/wordpress/conheca-a-pegagogia-waldorf/

http://revistaescola.abril.com.br/formacao/jean-piaget-428139.shtml

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Um comentário sobre “Linhas pedagógicas: uma reflexão

  1. Minha querida, algumas interpretações da teoria Piagetiana a colocam como uma ” concepção de ensino-aprendizagem”. Não é bem assim. Piaget era um epistemólogo e pouco escreveu sobre educação e pedagogia. Mas, certamente, sua obra possibilitou muitas ações e reflexões nesta área. Ao ler o post me lembrei de uma frase dele :
    ” tudo o que se ensinar à criança a impede de inventar ou descobrir”. Acho que escutar o que ele diz é um bom começo para se pensar a relação adulto- criança em casa e na escola.
    Pra começo de conversa… e pra participar do seu entusiamo e de suas buscas….
    Márcia.

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