Repensando o ninho: o quarto Montessoriano

Aprendendo a voar

Há pouco tempo assisti a uma palestra sobre o Quarto Montessoriano e fui tocada quando a palestrante disse: “na maioria das vezes, ao montar o quarto do bebê, os pais têm em mente o quarto dos seus sonhos, e a criança tem que caber nesse sonho e consequentemente nesse quarto”. No meu caso, mais pura verdade… Quando montei o quartinho da Lis coloquei os móveis todos branquinhos, combinando com o berço, quadros em cores e tons suaves de passarinho, corujinhas e um papel de parede rosa de bolinhas. tudo foi escolhido com muito amor e carinho, mas para ser muito sincera, na época que Lis era apenas um barrigão agitado e feliz, não imaginei uma danadinha engatinhando pela casa inteira, curiosa, exploradora, independente.

Quando Lis fez seis meses e começou a estender os bracinhos para todos os quadrinhos e nichos da parede onde ficavam seus bichinhos, percebi que eles estavam altos demais pra ela. Quando começou a engatinhar, percebi que o aparador oferecia risco de virar quando ela se apoiava nele. Quando começou a ficar em pé no berço pela manhã, conversando com seus bichinhos e brinquedos percebi a distância que estava de seus objetos e como seus movimentos e vontades ficavam limitados pelas grades do berço.

Foi então que comecei a me interessar pelo quarto Montessoriano. E fui apresentada a soluções simples e que proporcionariam à pequena muito mais liberdade, autonomia e identificação com seu próprio quartinho. A decoração do quarto segue a filosofia do método Montessori, sobre o qual falei um pouco no Post anterior. A principal característica desse conceito é que devemos garantir acessibilidade, segurança, autonomia e liberdade para que a criança possa enxergar e descobrir o mundo a sua volta e se expressar através dele. Para isto, algumas alternativas interessantes e baratas podem ser pensadas.

  • Cama: Uma cama baixa e sem grades, ou até mesmo um colchão no chão para que a criança possa se deitar e se levantar quando quiser e se movimentar pelo quarto.
  • Quadros, figuras e imagens: devem estar sempre na altura dos olhos da criança, para que possa interagir, ver de perto, tocar. Também é importante uma foto da criança com a família, que ajuda na construção de sua autoimagem e familiaridade com a imagem dos pais e o conceito de família.
  • Espelho: é muito importante que haja um espelho no quarto da criança. Quando ainda não estiver engatinhando, na horizontal, ao lado da cama, e depois que já estiver andando, na vertical, em uma parede do quarto. A criança pequena se interessa por rostos humanos, além disso, a criança aprende pela observação, ao se ver no espelho, perceber seus movimentos e expressões ela percebe que é um ser diferente da mãe e fortalece sua autoestima. Existem espelhos em acrílico, com as bordas arredondadas que não oferecem riscos para o bebê.
  • Perceber o ponto de vista do bebê: Móveis com prateleiras baixas, onde a criança possa ter acesso aos seus brinquedos preferidos, prateleiras baixas no guarda-roupa com algumas peças de roupa para que a criança possa escolher, tentar vestir, e posteriormente se trocar sozinha.
  • Brinquedos: tanto Maria Montessori, quando Rudolf Steiner (da pedagogia Waldorf) sugeriam o uso de brinquedos pouco elaborados, preferencialmente em madeira ou metal, e com pouca variedade de cor para estimular os sentidos e a criatividade da criança. Outra atitude importante é limitar a variedade de brinquedos. Apresentar a criança de três a seis peças, e fazer um rodízio conforme perceba que a criança perdeu o interesse na peça.
  • Barra de apoio: para crianças que já ficam em pé e iniciam os primeiros passos, uma barra de apoio ou móvel fixo junto à parede pode auxiliar a criança a andar sem necessitar da ajuda dos pais.
  • Cantinho da Natureza: ter um cantinho no quarto com um vasinho de plantas ou aquário de peixinhos ensina o cuidado e amor à natureza. Regar a plantinha ou alimentar o peixinho com a criança ensinam noções de cuidado e proteção.

Eu estou começando a modificar o quartinho da pequena com base nessas sugestões e já vi algumas diferenças muito interessantes no comportamento dela. Acho que mais que seguir um método ou uma filosofia, essas pequenas modificações são uma maneira de perceber a criança como um ser diferente de nós, com necessidades, pontos de vista e interesses próprios. É criar um espaço onde ela possa se identificar, se observar, aprender, sem que para isso tenhamos que estar por perto o tempo todo. Dar a ela um quarto que seja verdadeiramente seu, nos ajuda também a aprender o que é verdadeiramente nosso.

Fontes:

http://marcelaaurelianocriacoes.com.br/2013/04/03/projeto-quarto-de-bebe/

http://www.journalbebe.blogspot.fr/2011/04/um-outro-conceito-sobre-quartos-de.html?m=1

http://montessoriando.blogspot.com.br/2012/05/quarto-montessori-para-recem-nascidos.html

http://www.recantodasmamaesblogueiras.com/2011/04/quarto-para-crianca-segundo-montessori.html

http://www.partoegravidez.com/2012/08/sala-adequada-para-o-bebe-metodo.html

http://montessoriefamilia.blogspot.com.br/http://larmontessori.com/

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