Brincadeira é coisa séria

20150917_110553Tenho algumas amigas mães e amigos pais, que passam um tempo considerável de seus dias cuidando de seus filhos. Como eu passo todas as manhãs por conta da pequena, e sei como às vezes é difícil ter imaginação suficiente para criar e inventar brincadeiras e distrações para os pequenos, principalmente quando eles acordam ligados no 220v, resolvi escrever esse Post, baseada em minha própria experiência e em alguns sites e materiais de leitura, sobre idéias para distrair e estimular os pequenos.

Alguns instrumentos e materiais eu considero de grande ajuda desde os quatro meses, são os seguintes:

  • Espelho: a criança pequena é extremamente curiosa diante de rostos humanos, e com o tempo passa a reconhecer suas próprias expressões e movimentos. Quando Lis descobriu o espelho, costumava passar horas diante dele, encantada.
  • Tecidos com diversas consistências e cores: aqui em casa os campeões são os lenços; de seda, crepe, algodão, lã, cores e tamanhos diversos. uma caixa cheia de tecidos de cores e texturas diversas prendem a atenção do bebê por um bom tempo além de estimular seus sentidos.
  • Caixa dos segredos: montar uma caixa cheia de objetos curiosos de cores e texturas diferentes, de preferência que a criança não conheça, é pura diversão. Eu costumo colocar: bucha vegetal, raminhos de alecrim, escova de dente, pincel de maquiagem, potinhos da cozinha, um sino, utensílios de cozinha de silicone e madeira, garrafinha pet vazia, etc. Lis fica horas explorando os objetos… é uma de suas brincadeiras preferidas.
  • Móbiles: enquanto ainda não engatinham, as crianças amam objetos pendurados, coloridos, se movimentando diante de seus olhos. Móbiles prontos ou improvisados são uma boa pedida.
  • Água: água tem propriedades relaxantes, estimula a concentração além de ser um profundo estímulo sensorial para o bebê. Em tempos de calor, nada mais prazeroso e relaxante do que brincar com água dentro de uma banheirinha, ou com potinhos, bacias, regadores, mangueiras…
  • Lambança: A hora do lanche pode ser um  momento de se descobrir, experimentar, estimular a independência e autonomia da criança. Dar “finger foods” ou seja, comidinhas que seu filho possa pegar ele mesmo e comer com as mãos, ajuda a desenvolver a autonomia, é estimulante, abre o apetite e pode ser muito divertido para o bebê. Aqui as preferidas são: pedaços de melancia, pedacinhos de banana, abacate, manga, mamão, gomos de mexerica e laranja…
  • Lambança parte II: quando vou fazer bolos ou sucos, sempre coloco a pequena para me ajudar. ela coloca as bananas dentro do liquidificador, ou coloca a mão na massa do bolo e me ajuda a misturar. Ao final, saímos as duas cheias de farinha nos cabelos e alegria sem ter fim.
  • Fazendo arte: crianças pequenininhas ainda não sabem pegar um pincel, respeitar o espaço de uma folha de papel, entender formas e cores de um desenho. Mesmo assim, o contato com a tinta, o papel, as cores são estímulos muito interessantes. Quando Lis era menor eu fazia tinta para ela pintar a cartolina misturando iogurte natural sem lactose ou farinha e agua com corantes para alimentos ou gelatina sem sabor. Hoje uso tintas atóxicas comercias para pintura com os dedos. Provavelmente o bebê vai achar mais interessante a textura das tintas, a sensação do contato da tinta com as partes de seu corpo, e no final vai ter mais tinta nas perninhas do que na cartolina. mas a alegria da descoberta compensa a limpeza da bagunça.
  • Materiais para estimular em brincadeiras sensoriais: algodão, areia, arroz, água, bolhas de sabão, grama, vasinhos com plantinhas que podem ser cheiradas e experimentadas: manjericão, alecrim, hortelã.
  • Ler para a criança: ler prende a atenção da criança além de criar familiaridade com as palavras, sons e com a voz dos pais. Se o livro tem figuras e páginas duras, pedir para a criança ajudar a passar as páginas e imitar os sons dos animais é uma diversão a mais.
  • Passeios ao ar livre: sair é sempre bom para pais e filhos. O site http://www.napracinha.com tem sugestões maravilhosas de praças e parques, além de programação cultural para toda a família.
  • Mais idéias de brincadeiras: existem vários sites com idéias e sugestões de brincadeiras com crianças e bebês, eu particularmente, gosto muito do http://pitacoecia.com.br/ e do http://www.tempojunto.com/

Bom, é isso! Agora boa diversão e quem tiver mais idéias criativas para compartilhar, seja bem-vindo!

 

Para meu coração teu peito basta

coraçãoMeu poema preferido, de Neruda, começa assim… Estava pensando como queria começar a escrever sobre um assunto tão cheio de sentimento, de coragem e de entrega e só me veio em mente esse poema.

Amamentação. É preciso ter muito peito para explorar esse ato em todas as suas nuances e verdades. Amamentar é lindo…. quando a mama não está ingurgitada, dolorosa, machucada. Quando o bebê está tranquilo, sereno, receptivo. Quando o ambiente nos é acolhedor, calmo, preparado. Quando nossa alma está em paz, e tão farta de prazer quanto a mama está cheia de leite. Se algum desses elementos não está em perfeita harmonia, amamentar pode se tornar um sofrimento, um misto de culpa, punição, desespero e desestímulo ao vínculo mãe-filho.

O início da relação mãe e filho é o momento em que esses dois seres, repletos de carências, inseguranças, angústias e estranhamento começam a se conhecer e a compartilhar a vida de uma maneira tão simbiótica e intensa que nenhum sentimento e nenhuma sensação é só de um. O bebê sente a dor na mama da mãe assim como a mãe sente a dor de cólica do recém-nascido. Seus sofrimentos se misturam, se fundem, se confundem. Por isso, quanto menos sofrido é esse início, maior a chance de que a relação evolua mais rápido para um convívio prazeroso e tranquilo.

Qual o real significado da amamentação? O leite materno é cheio de vitaminas, proteínas e anticorpos, preparado para o bebê, de fácil digestão… blábláblá. De que adianta um alimento tão maravilhoso ser dado à custa de sofrimento, de culpa, de angústia? O real significado da amamentação é o estreitamento dos laços entre mãe e filho. O olho no olho, o toque de carinho, o calor dos dois corpos unidos e dos dois corações batendo em sintonia. Se não há essa comunhão, a amamentação perde o sentido.

O que quero dizer é que para amamentar não é preciso que haja um peito cheio de leite e um bebê que suga ao seio. Para amamentar é preciso que haja uma comunhão de amor entre dois seres, um que deseja com todo seu âmago ser alimento e o outro, que deseja alimentar-se de toda a ternura que há ali. Mamadeiras podem ser muito mais ternas e acolhedoras do que mamas feridas e cheias de dor. O amor não está no ato em si, e sim em todo o contexto que o cerca. Em estar inteiro naquele momento, doar-se, aplacar a fome do bebê com compaixão e generosidade, sem que isto te custe lágrimas de dor e dias de angústia.

Não quero dizer que o ato de amamentar em si seja carregado de sofrimento. Nos primeiros dias sim, deve haver persistência e muita força de vontade para que o desconforto e a dor deem lugar ao prazer. Mas para algumas mães, esses “primeiros dias” tornam-se eternos, extremamente penosos e sofridos. E nesse caso, não há benefício que supere a dor. A dor física, e a dor emocional, de sentir-se incapaz, fraca, covarde, punida, egoísta, por querer jogar tudo para o alto, mandar para aquele lugar “as maravilhas do aleitamento materno” e permitir-se desistir. Às vezes, é preciso mais coragem para desistir do que para continuar… E às vezes não é preciso desistir, apenas enxergar a amamentação com mais leveza, menos rigor, maior flexibilidade.

Dói desistir. Dói continuar só pelo outro. Dói não querer estar ali. Dói querer estar ali mais do que nunca, só que de outra maneira. Dói sentir-se incompleta, incapaz, egoísta. Dói sentir-se objeto do outro, sem recompensas, sem gratidão, sem enxergar o produto imediato daquela entrega sem limites. Isso tudo dói muito mais que uma mama ingurgitada.

Falar da dor a faz menor. É como drenar o leite que se acumula. Falar da dor a torna humana, possível, aceitável. Falar da dor permite que ela se transforme. Em aceitação, em entendimento de si mesmo, em escolha. Quando a amamentação se torna a comunhão de dois seres famintos por entendimento, acolhimento e segurança, para meu coração, teu peito basta.

Este é meu poema preferido. Ele termina assim:

“eu despertei e às vezes emigram e fogem

pássaros que dormiam em tua alma.”

Sessão desabafo – Pitacos e frases capazes de levar a um homicídio

facaUltimamente tenho conversado com muitas amigas mães a respeito das intromissões e palpites que povoam o mundo da maternidade, e o quanto seria muito mais agradável e leve atravessar as dificuldades e percalços do percurso se eles não existissem. São frases, expressões, atitudes e pitacos que às vezes são sentidos pela mãe como uma facada no coração ou um soco na boca do estômago. Coisas do tipo:

  • Ahhh, já está indo pra escolinha? Coitadinha…..
  • Nossa, arranhou o rostinho? A mamãe não está cortando suas unhas e cuidando de voce direito ein?!
  • Gente, e essas picadas de pernilongo? Como sua mãe deixou isso acontecer?
  • A culpa é sua por ela estar doente! Quem mandou colocar no berçário?!
  • Esse choro deve ser fome, seu leite é fraco pra ela.
  • Que dó, tão novinha e já está tomando mamadeira? Você não foi capaz de amamentar?
  • Acho que seu filho não se alimenta direito porque você não sabe como oferecer os alimentos para ele.
  • Nossa, tão novinho e já contratou uma babá? Você não deu conta de cuidar sozinha?
  • Dá um biscoitinho ou docinho pra ele, deve estar aguando…. que judiação….
  • Nossa, ela está chorando demais: deve ser cólica, deve ser fome, deve ser sono, deve ser frio, deve ser calor, deve ser porque você está muito nervosa.
  • Deste tamanho e ainda chupa bico? (ou toma mamadeira)
  • Ela é irritável desse jeito por sua causa. Você que passa inseguraça pra ela.
  • Mas você não coloca nem um pouquinho de sal na papinha dela (ou açucar)? Nossa, coitada, o sabor deve ser horrível!

E por aí vai…. São possibilidades infinitas de irritar uma mãe, principalmente de primeira viagem. De torná-la insegura, triste, irritada, culpada, frustrada ou infeliz. E são inúmeros os personagens responsáveis por essa tortura: um parente, amigo, conhecido, desconhecido que te aborda enquanto você espera o sinal fechar para atravessar a rua, a balconista da farmácia, o vizinho durante a descida no elevador, visitantes nos primeiros dias do bebê.

A maternidade é um estado de ebulição constante, estamos sendo julgadas, avaliadas, observadas o tempo todo, principalmente por nós mesmas. Ajuda, acolhimento, conselhos dados de uma forma carinhosa e respeitosa e sem julgamentos são muito bem-vindos na maioria das vezes. Mas a ultima coisa da qual precisamos é de palpites carregados de julgamento, recalque, maldade e ironia. E mesmo nós, como mães, temos que ter muito cuidado ao conversar com outras mães pois cada experiência é única e subjetiva. Não é porque você teve muito leite e achou incrível a experiência de amamentar que deve julgar uma mãe que não teve a mesma experiência. Não é porque seu filho é calmo e tranquilo que vai achar que uma criança irritável e chorosa é produto dos sentimentos e atitudes da mãe. Mesmo quando erramos, estamos usando todo o nosso coração, nossa generosidade e nosso conhecimento, tentando acertar.

Dizer a uma mãe que abdicou de sua vaidade, suas noites de sono, seu tempo livre para cuidar com o máximo de esmero e carinho do bebê que seu filho está mal cuidado, mal vestido, mal penteado, mal alimentado, é fazê-la sentir-se incapaz, incompetente apesar de todos os seus esforços.

Manifestar pena de uma criança porque ela não mamou no peito, ou porque não dorme a noite, ou porque está no berçário, ou porque tem babá, ou porque dorme sozinho no berço, ou porque só dorme no colo, ou porque chora demais, ou porque come de menos, é dizer à mãe que sua atitude em relação aquilo está incorreta e que ela é responsável pelo sofrimento do bebê. E a última coisa que uma mãe deseja é que seu filho sofra.

Na maioria das vezes, essas frases são ditas sem intenção de ferir a mãe. Podem estar tentando ajudar, ou tentando passar um pouco de sua própria experiência, ou simplesmente tentando mostrar solidariedade. O que devemos fazer para “nos proteger” dos palpites e, até certo ponto até tirarmos algo positivo deles?

Acho que a resposta é: devemos nos fortalecer. Quando o outro faz qualquer julgamento ou avaliação de nós, ele está no fundo, falando de si mesmo. De suas inseguranças, de seus medos, daquilo que não deu conta, de seus erros. Ele procura transferir para aquela mamãe insegura e supostamente frágil, toda a bagagem de culpa e angústia que carrega em relação àquele contexto.

Uma amiga, que inclusive foi inspiração para esse Post, no primeiro mês do bebê durante o processo de amamentação estava sempre acompanhada pela sua mãe. Todas as vezes que a criança era levada ao seio ou que chorava por algum desconforto, a avó decretava: “ela está com fome. Seu leite não é bom, vai ter que começar a mamadeira”. Essa amiga amamenta até hoje a filha, hoje com 18 meses e nunca precisou iniciar complemento. Essa avó, quando mãe, nunca conseguiu amamentar; tentou durante os dois primeiros meses, e provavelmente, tem isso como uma grande frustração até hoje.

Quando estamos seguras de que o que fazemos pelo nosso filho é o melhor que podemos, de que nossas decisões foram tomadas com consciência, responsabilidade e amor, de que nossas escolhas são baseadas em uma relação de cumplicidade, verdade e entrega, não há palpite que nos abale. Aprendemos a enxergar o que é do outro naquela frase carregada de julgamentos, e a escutar o que realmente nos toca e pode nos ajudar. Aquilo que não nos serve, jogamos no lixo, junto com aquela faca de cozinha que estávamos querendo usar para exterminar o palpiteiro indesejado.

Existindo aquém da Maternidade

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Já falei aqui sobre como é importante pra mim estabelecer uma relação com a pequena sem a presença constante da culpa. Hoje quero falar sobre uma das principais estratégias que uso para que isso aconteça. É simples: não deixo que minhas necessidades vitais sejam negligenciadas em função das necessidades dela.

Mas o que significam as minhas necessidades vitais: comer? Dormir? Beber água? Ir ao banheiro? Trocar o pijama?

Bem, a maioria das mães sabe que essas necessidades que citei acima muitas vezes são esquecidas ou adiadas em função da demanda trazida pelo bebê. Quantas vezes esquecemos de nos alimentar bem, quantas noites de sono perdidas, quantos dias inteiros sem lembrar de fazer xixi… Não é bem disto que estou falando, até porque conforme estabelecemos rotina e o bebê cresce as coisas vão entrando nos eixos.

O que considero como minhas necessidades vitais são os elementos que julgo fundamentais para a construção e a manutenção da minha autoestima, minha autorrealização, minha existência como mulher, e não somente como mãe. Mas se já é tão difícil realizar tarefas básicas, como comer, tomar banho, como posso existir além e aquém da maternidade? Acho que o primeiro passo é não me esquecer de quem eu sou.

Não esquecer que sou uma pessoa diferente dela, com necessidades, sonhos e realizações que vão além daquelas vinculadas ao ato de ser mãe. Não reduzir minhas expectativas em relação a minha existência às expectativas que tenho em relação a vida dela e à vida que tenho com ela. Não esquecer que antes de ser mãe sou mulher, sou livre para fazer escolhas, e responsável pelo produto dessas escolhas. E por fim, perceber que também ela tem necessidades e demandas diferentes das minhas, que também fará suas escolhas e terá suas expectativas, e de que a melhor maneira que tenho para ajudá-la nisso é vivendo a minha própria vida.

A decisão de colocá-la no berçário foi uma das mais importantes nesse sentido. Nos dias em que não estou trabalhando, uso o tempo que não estou com ela para cuidar de mim, me lembrar de mim, me reconhecer em atitudes simples e cotidianas como ler um livro, fazer um bolo, fazer as unhas, tomar café com uma amiga. O berçário é bom pra ela? Sim, lá ela aprende a interagir com outras crianças, tem experiências lúdicas enriquecedoras, ganha autonomia. Mas o berçário foi uma escolha que fiz para mim.

Quando ela adoece por causa do contato com as centenas de vírus e bactérias que ela encontra por lá fico triste e preocupada, cuido dela com todo o coração, toda a dedicação e o amor do mundo, mas não me sinto culpada por isso. Prefiro que ela passe por isso do que culpá-la pela minha não-existência daqui há alguns anos, ou puni-la com minha dependência emocional, ou tirar-lhe a chance de fazer suas próprias escolhas e viver suas próprias atitudes simples e cotidianas.

Meu trabalho também é uma prioridade nesse sentido. Preciso trabalhar. Para ter independência financeira, para distanciar  e diversificar os pensamentos e as conversas, para construir algo que perdure  e que me faça sentir produtiva e ativa quando ela deixar o ninho, para ser exemplo.

Namorar então…. é fundamental. Me sentir mulher. Sair para jantar, dar e receber carinho, ter longas conversas regadas a salada, pão e vinho depois que ela dorme, me arrumar e me sentir bonita, passar perfume, maquiagem, comprar uma lingerie nova… Assim eu exponho minha feminilidade, abre-se espaço para a relação homem-mulher, criamos a pequena em um lar equilibrado, onde as atenções, cuidados e olhares não se voltam todos para ela. E deste modo ela aprende a viver além, aquém e apesar do olhar do outro.

Por fim, tenho necessidade de viver cada momento com verdade e intensidade. A principal de minhas necessidades vitais é a busca pelo prazer. Tanto ao lado dela, quanto nas atividades e momentos longe da pequena procuro estar inteira. Não inteira no sentido de completude, pois o desejo não sobrevive na completude, mas no sentido de assumir todos os sentimentos, sensações e consequências presentes naquele instante.

Viver assim não é uma escolha livre de angústia, não é uma escolha sem riscos e consequências, e sei que não me exime do erro ou da dúvida… Sei que no momento é o que me faz bem. E se me faz bem eu consigo ter uma relação mais verdadeira e prazerosa com a pequena, e consequentemente criá-la em um ambiente saudável. E assim eu sigo sendo mulher, ela segue sendo menina, e seguimos tentando ser únicas, singulares, diversas e todas.

Criando uma comilona saudável

magali-melanciaQuando chegou a hora de iniciar suquinhos e frutas para a pequena, confesso que fiquei eufórica. Cozinhar, para mim, é uma terapia, uma arte; e comer…. Bem digamos que como toda descendente de família italiana, que cresceu com os almoços de domingo da “nonna”, sempre fui muito boa de garfo.

Iniciei Lis no mundo da gastronomia abusando da criatividade e confesso que lancei mão de algumas frescurites, que julgo fazerem a diferença. Os alimentos da pequena são em sua maioria orgânicos (frutas, verduras, legumes). Ofereço uma grande variedade de sabores para que ela prove, conheça e apure seu paladar. Coloco pouquíssimo sal no almoço e jantar e nunca uso açúcar. Abuso dos tempeirinhos: alho, cebola, alecrim, manjericão, orégano, mas não sempre, para que ela conheça também o sabor de cada alimento sem a interferência de temperos. Suco, sempre natural e feito na hora (os de caixinha e lata têm uma quantidade assustadora de açucar e conservantes). Cozinho os legumes e verduras sempre em fogo baixo para preservar os nutrientes, e se possível no vapor, pelo mesmo motivo.

A pequena come de tudo, com muita alegria e disposição. Nunca dou as refeições em frente à TV, ou com brinquedos ou eletrônicos e procuro fazer minhas refeições junto com ela. Alguns dias na semana, estamos os três na hora do almoço, eu, ela e meu marido, e nesses dias, ela fica especialmente feliz e come super bem. Abuso das chamadas “finger foods”, ou seja, comidinhas que a criança pode pegar, se lambuzar, comer sozinha. Por exemplo: banana picada, pedaços de melancia, gomos de mexerica, cenoura cozinha, beterraba cozida, “arvorezinhas” de brócolis. Ultimamente ela tem gostado muito de treinar o movimento de pinça comendo “bolinhas” durante o almoço: ervilha, grão de bico, milho… Existem estudos que comprovam que crianças que têm autonomia e independência na hora de comer se tornam adultos com menor incidência de diabetes, pois a própria criança controla seu ponto de saciedade e desenvolve esse hábito ao longo da vida.

Outro fator importante e difícil para algumas mães (porque pensam na tortura que vai ser limpar a bagunça depois), é deixar a criança se sujar na hora de se alimentar. Ficar limpando a boquinha a cada colherada e censurando suas experimentações desestimula o bebê na hora de comer. Os bebês são extremamente sinestésicos, ou seja, eles comem e sentem com todas as partes do corpo, então, uma vez ou outra deixar que eles se labuzem, que peguem os alimentos com suas próprias mãozinhas é extremamente prazeroso e estimulante. Portanto, colocar roupas velhinhas que possam se sujar, e dar os alimentos em um ambiente relaxante e sem tensão é um excelente começo para criar um bebê comilão saudável.

A temperatura da comida também é importante. A criança vai mostrando suas preferências ao longo da introdução dos alimentos, e devemos estar atentos. Minha pequena, por exemplo, não gosta de jeito nenhum de comida quente, nem mesmo morninha, prefere em temperatura ambiente, e às vezes até fria. Falando em preferências, a relação que temos com a comida influencia bastante na hora de oferecer os alimentos, pois o bebê é extremamente perceptivo… vai ser difícil convencê-lo de que beterraba é uma delícia se você não consegue nem sentir o cheiro dela… Eu prefiro sempre oferecer alimentos que eu goste.

Se ela não gostou do alimento na primeira tentativa, eu não desisto! Devemos tentar pelo menos vinte vezes antes de dizer que a criança realmente não gosta daquele alimento. Lis já teve fase de amar e odiar mandioca, banana, manga…. O paladar vai amadurecendo e se modificando.

Outra coisa extremamente estimulante e deliciosa é cozinhar com a criança. Quando eles participam da elaboração dos pratos, comem mais e melhor. Atitudes simples fazem diferença, por exemplo, quando vou fazer sucos ou vitaminas, deixo a pequena colocar as frutas no liquidificador, ela ama! Quando vou fazer bolo, às vezes deixo ela literalmente “colocar a mão na massa”, ela se lambuza inteira e fica na maior alegria!

Respeitar as fases e vontades também faz a diferença. Quando a pequena está com sono não come nem amarrada, quando está doentinha prefere comidas leves, pouca quantidade várias vezes ao dia e sabor mais suave, quando os dentinhos estão nascendo prefere comidinhas frias e de sabor adocicado… Haja paciência nessas horas… Mas quanto mais tensa fico, menos ela come.

Lendo e relendo esse Post, achei que ficou bem simples e até meio óbvio. Mas como o que escrevo aqui é principalmente para mim mesma, acho que o que quero é me lembrar de que não há mágica nem segredos para fazer o bebê comer bem. É só seguir a receita que o coração mandar, com algumas pitadas de paciência, tranquilidade, persistência e carinho.