Criando uma comilona saudável

magali-melanciaQuando chegou a hora de iniciar suquinhos e frutas para a pequena, confesso que fiquei eufórica. Cozinhar, para mim, é uma terapia, uma arte; e comer…. Bem digamos que como toda descendente de família italiana, que cresceu com os almoços de domingo da “nonna”, sempre fui muito boa de garfo.

Iniciei Lis no mundo da gastronomia abusando da criatividade e confesso que lancei mão de algumas frescurites, que julgo fazerem a diferença. Os alimentos da pequena são em sua maioria orgânicos (frutas, verduras, legumes). Ofereço uma grande variedade de sabores para que ela prove, conheça e apure seu paladar. Coloco pouquíssimo sal no almoço e jantar e nunca uso açúcar. Abuso dos tempeirinhos: alho, cebola, alecrim, manjericão, orégano, mas não sempre, para que ela conheça também o sabor de cada alimento sem a interferência de temperos. Suco, sempre natural e feito na hora (os de caixinha e lata têm uma quantidade assustadora de açucar e conservantes). Cozinho os legumes e verduras sempre em fogo baixo para preservar os nutrientes, e se possível no vapor, pelo mesmo motivo.

A pequena come de tudo, com muita alegria e disposição. Nunca dou as refeições em frente à TV, ou com brinquedos ou eletrônicos e procuro fazer minhas refeições junto com ela. Alguns dias na semana, estamos os três na hora do almoço, eu, ela e meu marido, e nesses dias, ela fica especialmente feliz e come super bem. Abuso das chamadas “finger foods”, ou seja, comidinhas que a criança pode pegar, se lambuzar, comer sozinha. Por exemplo: banana picada, pedaços de melancia, gomos de mexerica, cenoura cozinha, beterraba cozida, “arvorezinhas” de brócolis. Ultimamente ela tem gostado muito de treinar o movimento de pinça comendo “bolinhas” durante o almoço: ervilha, grão de bico, milho… Existem estudos que comprovam que crianças que têm autonomia e independência na hora de comer se tornam adultos com menor incidência de diabetes, pois a própria criança controla seu ponto de saciedade e desenvolve esse hábito ao longo da vida.

Outro fator importante e difícil para algumas mães (porque pensam na tortura que vai ser limpar a bagunça depois), é deixar a criança se sujar na hora de se alimentar. Ficar limpando a boquinha a cada colherada e censurando suas experimentações desestimula o bebê na hora de comer. Os bebês são extremamente sinestésicos, ou seja, eles comem e sentem com todas as partes do corpo, então, uma vez ou outra deixar que eles se labuzem, que peguem os alimentos com suas próprias mãozinhas é extremamente prazeroso e estimulante. Portanto, colocar roupas velhinhas que possam se sujar, e dar os alimentos em um ambiente relaxante e sem tensão é um excelente começo para criar um bebê comilão saudável.

A temperatura da comida também é importante. A criança vai mostrando suas preferências ao longo da introdução dos alimentos, e devemos estar atentos. Minha pequena, por exemplo, não gosta de jeito nenhum de comida quente, nem mesmo morninha, prefere em temperatura ambiente, e às vezes até fria. Falando em preferências, a relação que temos com a comida influencia bastante na hora de oferecer os alimentos, pois o bebê é extremamente perceptivo… vai ser difícil convencê-lo de que beterraba é uma delícia se você não consegue nem sentir o cheiro dela… Eu prefiro sempre oferecer alimentos que eu goste.

Se ela não gostou do alimento na primeira tentativa, eu não desisto! Devemos tentar pelo menos vinte vezes antes de dizer que a criança realmente não gosta daquele alimento. Lis já teve fase de amar e odiar mandioca, banana, manga…. O paladar vai amadurecendo e se modificando.

Outra coisa extremamente estimulante e deliciosa é cozinhar com a criança. Quando eles participam da elaboração dos pratos, comem mais e melhor. Atitudes simples fazem diferença, por exemplo, quando vou fazer sucos ou vitaminas, deixo a pequena colocar as frutas no liquidificador, ela ama! Quando vou fazer bolo, às vezes deixo ela literalmente “colocar a mão na massa”, ela se lambuza inteira e fica na maior alegria!

Respeitar as fases e vontades também faz a diferença. Quando a pequena está com sono não come nem amarrada, quando está doentinha prefere comidas leves, pouca quantidade várias vezes ao dia e sabor mais suave, quando os dentinhos estão nascendo prefere comidinhas frias e de sabor adocicado… Haja paciência nessas horas… Mas quanto mais tensa fico, menos ela come.

Lendo e relendo esse Post, achei que ficou bem simples e até meio óbvio. Mas como o que escrevo aqui é principalmente para mim mesma, acho que o que quero é me lembrar de que não há mágica nem segredos para fazer o bebê comer bem. É só seguir a receita que o coração mandar, com algumas pitadas de paciência, tranquilidade, persistência e carinho.

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