Recomeçando…

pontuacao

Há uns dois dias tenho chorado lendo todos os posts em sites de mães com os quais me identifico. Ontem li um relato de parto maravilhoso da Luíza no potencialgestante.com.br, hoje no mildicasdemae.com.br chorei lendo “Ninguem entende a coitada da mãe”. Cheguei a conclusão de que teria que voltar a escrever… desde que engravidei novamente (Lis estava com nove meses!!!) parei de escrever no Blog… Acho que eram muitos sentimentos confusos, muita coisa para planejar e pensar, somados àquele cansaço incomparável dos primeiros meses da gravidez.

Hoje percebo como estou com assuntos e sentimentos atrasados, precisando ser passados a limpo. Uma coisa que sempre soube sobre mim é que uma coisa na minha vida só começa a existir depois que escrevo sobre ela… A palavra em minha vida tem a força e a concretude de um tijolo, que vai pouco a pouco delineando a realidade através de meus pensamentos e sensações.

Otto chegou ao mundo para balançar meus alicerces, minhas certezas, meu afeto. Aquele menino gordo e “mamador”, que passou o primeiro mês sem dormir, chorão e incompreendido, conseguiu testar desde meu preparo físico e emocional até meus sentimentos de amor, de culpa, de medo, de solidão e desespero. Sabe aquela culpa que não existia quando a pequena nasceu? Tive o desgosto de conhecê-la quando a exaustão me fez gritar e perder a paciência pela primeira vez com a Lis, quando senti raiva do Otto por achá-lo um chato que só chorava e nunca estava satisfeito, quando percebi que dividir igualmente o tempo e a atenção entre um bebê de um ano e meio e um recém nascido é uma tarefa humanamente impossível…

Desde o princípio, tive uma percepção que ao mesmo tempo me angustiou e serenou… O primeiro filho já nasce amado, construído, pronto. O segundo filho começa a existir quando olha pra gente, com aqueles olhos enormes de medo, curiosidade e carência e parece perguntar: “e então minha mãe, por quê vim parar aqui?”. Pelo menos no meu caso foi assim… Dia após dia construo um pedaço da minha relação com o Otto, descubro sentimentos, e aprendo como ele é, do que ele gosta, porque chora… Quando percebi isso, tive pena da Lis, de tê-la dado pouco espaço para se construir, já que em minha cabeça e no meu coração ela já era ela desde que aquele teste de farmácia deu positivo. Ao mesmo tempo tive pena do Otto, por não ter tido tempo de imaginá-lo meu menino gordo e gostoso antes de vê-lo pela primeira vez. Sentimentos tão ambíguos e confusos….

Hoje, após três meses do nascimento do pequeno, a fase de exaustão e de confusão de sentimentos começa a dar lugar à sensação de que foi vencida a primeira etapa de adaptação da família, e já estamos criando forças para o que vem pela frente. Hoje recomeço as palavras por aqui, até que as precise calar novamente, por falta de tempo, de animo, de imaginação … e a vida é assim, feita de recomeços. Ainda bem que existem vírgulas e reticências, e que não somos feitos de pontos finais

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